segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

confissão

hoje teremos almoço em Gomorra
ligo ventiladores em slowbeat
para esfriar o sabor das fezes

Banquete é carne, queijo e molho

estou na noite de Gomorra
meu milkshake reúne jovens
sob os alpendres de meu jardim

Há política no colo quebrado da lua

para mim o inferno em Gomorra
é um engarrafamento vertical
o tempo correndo nos carros parados

Aqui não há ruas de escape

Sodoma e Gomorra, Alessandro Bavari

paga

o deus de fogo, terra e água
aquietara.

mas havendo em Recife
arrefeceu.

insuflou a mancebia
e sem ares de agonia
dissolveu.

Recife "Hellcife", Max Levay

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

r

apaz
implodiu o meu coração

como as veias de um leão
como o canto dos temporais
como o colo da oração
como a partida de meu pai.

eu corri de mim
e achei-me ao fim
estampado em um mural.

escrevi ao pó,
recolhi anzois
que brilhavam a cor do vão,

do não.

Petrified Veins, de Evans, 1955